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Publicado em: 01 de março de 2026Atualizado em: 19 de abril de 2026

Financiamento Imobiliário: Como Funciona no Brasil

Guia completo sobre financiamento de imóveis no Brasil — da entrada mínima às taxas de juros, passando por FGTS e como financiar comprando direto do proprietário.

Pontos-chave

  • A entrada mínima na maioria dos bancos é de 20% do valor do imóvel.
  • O sistema SAC é o mais utilizado e tem custo total menor que a Tabela PRICE.
  • O FGTS pode ser usado para entrada, amortização ou quitação do financiamento.
  • Na compra direta, não há comissão embutida — o que pode reforçar a entrada, embora a exigência mínima do banco permaneça a mesma.

Resposta rápida

No Brasil, a entrada mínima para financiamento é de 20% do valor do imóvel. O prazo pode chegar a 35 anos e os juros ficam entre 9% e 12% ao ano no SBPE. Exemplo real: em um imóvel de R$ 500.000, o financiamento pelo SAC resulta em juros totais de ~R$ 602.000 vs ~R$ 864.000 pelo PRICE.

O que é financiamento imobiliário?

O financiamento imobiliário é uma modalidade de crédito oferecida por bancos para a compra de imóveis. Ao financiar imóvel comprando direto do proprietário, o processo funciona da mesma forma — e a economia da comissão pode reforçar a entrada. O banco paga o valor do imóvel ao vendedor e o comprador devolve esse valor em parcelas mensais ao longo de anos, acrescidas de juros.

É importante entender que o financiamento não substitui a necessidade de assessoria jurídica. Mesmo financiando, o comprador precisa verificar toda a documentação do imóvel e do vendedor — especialmente quando a compra é feita diretamente com o proprietário, sem intermediários.

Se você está planejando comprar imóvel sem corretor, o financiamento funciona da mesma forma. A diferença é que o vendedor não repassa comissão de corretagem, o que pode resultar em maior margem de negociação para o comprador.

Antes de contratar, simule o financiamento com os valores do imóvel que você quer comprar.

Como funciona o financiamento no Brasil

O processo de financiamento segue etapas bem definidas: análise de crédito, avaliação do imóvel pelo banco, assinatura do contrato de financiamento e registro no cartório. O banco avalia a capacidade de pagamento do comprador (a parcela geralmente não pode ultrapassar 30% a 35% da renda familiar, dependendo do banco) e o valor do imóvel.

Os principais programas de financiamento no Brasil são: o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que utiliza recursos da poupança, e o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), voltado para famílias enquadradas nas faixas de renda do programa, com subsídios e taxas de juros reduzidas. Cada programa tem regras específicas sobre valor máximo do imóvel, renda familiar e taxas de juros.

Os bancos mais ativos no crédito imobiliário são Caixa Econômica Federal (líder de mercado), Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Cada instituição oferece condições diferentes, por isso é fundamental comparar taxas e condições antes de contratar.

Entrada mínima para financiamento

A maioria dos bancos financia entre 70% e 80% do valor do imóvel, dependendo do tipo de imóvel e do perfil do comprador. Em alguns programas, como o Minha Casa Minha Vida, é possível financiar até 90% do valor para imóveis dentro dos limites do programa.

Para quem está planejando a entrada, é essencial organizar as finanças com antecedência. Saiba mais sobre valores e estratégias no nosso guia sobre entrada para comprar imóvel.

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pode ser utilizado para compor a entrada ou amortizar parcelas, desde que o comprador atenda aos requisitos: ter pelo menos 3 anos de trabalho com carteira assinada (consecutivos ou não), não possuir outro financiamento ativo pelo SFH, não ser proprietário de imóvel residencial no mesmo município, e o imóvel ser residencial urbano com valor dentro dos limites vigentes do SFH. Saiba mais sobre como usar o FGTS na compra de imóvel.

Taxas de juros: SAC vs PRICE

No Brasil, os financiamentos imobiliários utilizam dois sistemas principais de amortização:

CaracterísticaSACPRICE
ParcelasComeçam altas e diminuemFixas do início ao fim
AmortizaçãoConstanteCrescente ao longo do tempo
Juros mensaisDiminuem rapidamenteDiminuem lentamente
Custo totalMenorMaior
Ideal paraQuem pode pagar mais no inícioQuem precisa de parcelas previsíveis

As taxas de juros para financiamento imobiliário no Brasil variam de acordo com o banco, o perfil do cliente e o programa utilizado. Em 2025/2026, as taxas médias ficam entre 9% e 12% ao ano para o SBPE. No Minha Casa Minha Vida, as taxas são subsidiadas e podem partir de 4% ao ano para famílias nas faixas iniciais do programa.

Comparativo de taxas por banco (2025/2026)

As taxas variam conforme o banco, perfil do cliente e relacionamento. Veja as faixas praticadas pelos principais bancos:

BancoTaxa (a.a.)Entrada mínimaPrazo máximo
Caixa EconômicaTR + 8,99%–10,99%20%35 anos
ItaúTR + 9,50%–11,49%20%30 anos
BradescoTR + 9,50%–11,49%20%30 anos
SantanderTR + 9,99%–11,99%20%35 anos
Banco do BrasilTR + 9,39%–11,49%20%35 anos

* Taxas aproximadas para imóveis residenciais no SBPE. Valores podem variar conforme perfil de crédito e relacionamento com o banco. Consulte cada instituição para cotação personalizada.

Requisitos de renda e crédito

Para aprovação do financiamento, os bancos avaliam: (1) a parcela não pode ultrapassar 30% a 35% da renda familiar bruta; (2) score de crédito mínimo varia por banco, mas geralmente acima de 600 pontos; (3) não ter restrições no CPF (SPC/Serasa). Exemplo: para financiar R$ 400.000 em 30 anos pelo SAC a 10% a.a., a primeira parcela é ~R$ 4.440 — exigindo renda familiar mínima de ~R$ 12.700 a R$ 14.800.

Conclusão: o SAC custa ~R$ 262.000 menos em juros que o PRICE no mesmo financiamento de R$ 400.000. Compare as taxas entre pelo menos 3 bancos antes de contratar — a diferença de 1 ponto percentual na taxa pode representar mais de R$ 80.000 em juros ao longo de 30 anos.

Como a taxa Selic afeta o financiamento imobiliário

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Embora os contratos de crédito imobiliário não sejam corrigidos diretamente pela Selic (a maioria usa TR + juros fixos), ela é o principal balizador do custo do dinheiro no Brasil — quando sobe, os bancos repassam parte do aumento às novas concessões; quando cai, o crédito tende a ficar mais acessível.

Na prática, períodos de Selic alta (acima de 12% a.a.) reduzem a oferta de crédito, encarecem novas operações e diminuem o poder de compra do financiamento. Já em ciclos de queda, a entrada exigida pelos bancos pode permanecer estável, mas o custo total ao longo de 30 anos pode ser significativamente menor.

Para quem está comprando agora, vale comparar simulações em pelo menos 3 bancos antes de fechar o contrato — a diferença de 1 ponto percentual ao ano em uma operação de R$ 400.000 por 30 anos pode representar mais de R$ 80.000 em juros pagos.

Simulação de financiamento

Para entender o impacto real do financiamento, veja uma simulação com um imóvel de R$ 500.000, entrada de 20% (R$ 100.000), saldo financiado de R$ 400.000, prazo de 30 anos e taxa de juros de 10% a.a.:

SACPRICE
1ª parcela≈ R$ 4.440≈ R$ 3.510
Última parcela≈ R$ 1.120≈ R$ 3.510
Total pago (360 meses)≈ R$ 1.002.000≈ R$ 1.264.000
Juros totais≈ R$ 602.000≈ R$ 864.000

A diferença de juros entre os dois sistemas pode ultrapassar R$ 260.000 no mesmo financiamento. Por isso, o SAC é o mais recomendado para quem tem capacidade de arcar com parcelas iniciais mais altas.

Financiamento vs comprar à vista

Comprar à vista elimina completamente o custo dos juros e simplifica o processo — não há análise de crédito, não há parcelas mensais e a negociação com o vendedor ganha mais flexibilidade (muitos proprietários aceitam descontos significativos para venda à vista).

Por outro lado, o financiamento permite a compra imediata mesmo sem ter o valor total disponível. O custo dos juros ao longo de 30 anos pode praticamente dobrar o valor pago pelo imóvel, mas para muitas famílias é a única forma viável de adquirir a casa própria. Use nosso simulador de financiamento para comparar as duas opções.

Uma estratégia intermediária é financiar o menor valor possível e usar economias e FGTS para dar a maior entrada viável, reduzindo o saldo devedor e, consequentemente, o total de juros pagos. Calcule quanto de imóvel você pode comprar com sua renda.

Como financiar comprando direto do proprietário

O financiamento funciona independentemente de haver ou não corretor na negociação. O banco analisa o imóvel e o comprador — não o canal de venda. Ao comprar direto do proprietário, o processo é o mesmo: você obtém a aprovação de crédito, o banco avalia o imóvel, e o contrato de financiamento é assinado.

Ao financiar comprando sem corretor, a comissão de intermediação — que pode representar uma diferença relevante no valor total da compra — é eliminada. Esse valor pode ser direcionado para a entrada ou para reduzir o valor financiado. Verifique também os documentos necessários para comprar imóvel antes de iniciar o processo de financiamento.

No ApartamentoLivre, o análise documental — análise documental, contrato e acompanhamento cartorário — custa 1,85% do valor da negociação. Isso inclui a verificação de que o imóvel está apto a ser financiado (matrícula regular, sem ônus impeditivos, habite-se em dia).

Perguntas Frequentes sobre Financiamento Imobiliário

A maioria dos bancos exige entrada mínima de 20% do valor do imóvel. Em programas como o Minha Casa Minha Vida, é possível financiar até 90%. O FGTS pode ser usado para compor a entrada. Veja o guia completo sobre entrada para comprar imóvel.
Sim, o FGTS pode ser usado para entrada, amortização ou quitação. Requisitos: 3 anos de carteira assinada, sem outro financiamento SFH ativo, não ser proprietário no mesmo município, e imóvel residencial urbano dentro do limite do SFH.
No SAC (Sistema de Amortização Constante), as parcelas começam mais altas e diminuem ao longo do tempo — o custo total é menor. Na Tabela PRICE, as parcelas são fixas, mas o custo total dos juros é geralmente mais alto. O SAC é o mais utilizado no Brasil. Veja quanto imóvel você pode comprar com base na sua renda.
A análise de crédito leva de 5 a 15 dias úteis. A avaliação do imóvel pelo banco pode levar mais 5 a 10 dias. No total, o processo completo — da análise à assinatura do contrato — leva em média 30 a 60 dias.
Sim, o financiamento funciona independentemente de haver corretor na negociação. O banco analisa o imóvel e o comprador, não o canal de venda. Comprando sem corretor, a comissão de intermediação é eliminada — valor que pode ser direcionado para a entrada. Veja os documentos necessários.
Além das parcelas, o comprador deve pagar: ITBI (2% a 3% do valor), emolumentos de escritura e registro, seguro habitacional (obrigatório), taxa de avaliação do banco e eventuais taxas administrativas. Veja os custos ocultos na compra.
Alienação fiduciária é a garantia mais comum nos financiamentos imobiliários no Brasil. O imóvel fica em nome do banco até a quitação total do financiamento. Se o comprador deixar de pagar, o banco pode retomar o imóvel por meio de leilão extrajudicial, sem necessidade de processo na justiça. Após a quitação, a propriedade é transferida integralmente para o comprador.

Próximo passo recomendado

Negocie direto. Sem intermediários.

No ApartamentoLivre, você negocia direto com o proprietário e pode otimizar os custos da transação. Todo o processo jurídico é acompanhado por advogados com grande conhecimento na área.